Ela
está naquela fase de fingir que não dói. Acorda fingindo que não
sente falta e vai dormir tentando convencer a si mesma que logo isso
passa. Aliás, já está passando, porque faz uma semana que parou de
buscar incansavelmente notícias sobre a vida dele e não chora há
quatro dias. Um verdadeiro recorde.
Ela
está naquela fase de sair por aí com as amigas dizendo que isso de
amor não é para ela, que é perda de tempo, que nunca mais vai se
apaixonar. E as amigas relembram que ela já disse isso antes e se
apaixonou logo em seguida.
Então
ela se lembra dele, bebe um monte, canta em voz alta aquela música
que antes era deles, mas, em vez de chorar, publica nas redes sociais
a foto em que está com o sorriso do tamanho do mundo.
Ela
está naquela fase de voltar para casa quando falta pouco para que a
madrugada vire dia e de esperar que as pessoas reconheçam o quanto
ficou mais linda solteira.
Ela
está naquela fase de sair do banho correndo para pegar o celular,
com a desculpa de que é para checar quantas pessoas curtiram a sua
foto, com a barriga sem pneuzinhos, que ela tirou pouco antes de
assumir que estar com ele consegue ser melhor que qualquer balada.
Tudo
o que ela mais queria era ver um indício de que ele viu aquela
fotografia, porque ela precisa esfregar na cara dele que consegue sim
ser muito feliz sozinha.
Tudo
isso porque, na realidade, ela está mesmo é naquela fase de esperar
que ele volte pedindo desculpas ou ligue e faça o mínimo esforço
para demonstrar que ainda a quer. Mas ligue e diga que ainda existe
vontade de reatar, que o fim foi um erro bobo. E se ele fizesse isso,
ela voltaria.
Voltaria
porque ainda existe vontade em querer realizar todos os planos que
fizeram, mesmo que todos a julguem. Mesmo que ela tenha percebido que
planos são frágeis.
Tudo
isso porque, na realidade, ela ainda está naquela fase de se sentir sozinha
em casa e sem que ninguém a veja, tira a máscara e se entrega ao
choro, de não entender como as coisas chegaram àquele ponto quando
pareciam tão felizes.
Ela
anda morando nessa fase, perdendo o sono ao procurar qual foi o
gigantesco erro que cometeu para que ele a diminuísse ao gritar na
sua cara: “você nunca vai encontrar alguém como eu”.
É.
Ela está nessa fase.
Não há como pular.
Pode ser que demore um
tempão para que toda essa bagunça se ajeite, mas, quando finalmente
tudo estiver arrumado, ela vai entender que o que ele gritou bem no
meio da cara dela está longe de ser ruim.